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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Preço da arroba do cacau volta a cair após máximos históricos e preocupa produtores


 

Queda nas cotações após picos em 2024 e início de 2025


Dados atualizados mostram que o valor da arroba do cacau no estado da Bahia, principal região produtora do Brasil, está sendo negociado em torno de R$ 375 no mercado local — uma queda significativa em relação aos patamares mais altos vistos em anos recentes. 


Mercado do Cacau


No mercado internacional de futuros, o cenário é semelhante: os contratos de cacau negociados nas bolsas de Nova York e Londres caíram para níveis não vistos em cerca de um ano e meio, com a tonelada cotada pouco acima de US$ 5.000 por tonelada — metade dos valores recordes que ultrapassaram US$ 12.000 por tonelada no final de 2024. 


Fatores que explicam a queda de preços


Especialistas apontam uma série de fatores que contribuíram para a correção nas cotações:


Melhora na oferta global


A expectativa de uma colheita mais robusta em regiões produtoras importantes, como a Costa do Marfim e Gana — que juntas respondem por mais de 60% da produção mundial de cacau — tem aliviado parte da pressão sobre os estoques e contribuído para o recuo dos preços. 


Demanda enfraquecida


Com os preços ainda elevados em comparação a anos anteriores, muitos fabricantes de chocolate reduziram a demanda por amêndoas, e alguns até ajustaram receitas para usar ingredientes alternativos. Isso enfraqueceu ainda mais as cotações. 


A implementação de normas ambientais e atrasos regulatórios no mercado europeu (como a EUDR) e ajustes de tarifas em mercados externos também influenciaram o comportamento dos preços, gerando movimentos bruscos de alta e baixa no curto prazo. 


Impacto para os produtores baianos


Produtores no sul da Bahia, onde o cacau é um componente vital da economia local, enfrentam incertezas. A volatilidade das cotações complica o planejamento da safra e a fixação de preços para comercialização.


“Depois de um período em que o preço da arroba parecia não ter teto, essa queda recente nos coloca novamente na realidade de um mercado global altamente conectado e sensível a choques de oferta e demanda”, afirma um analista do setor, que pediu anonimato.


Repercussão econômica e social


A retração nos preços pode aliviar custos para a indústria de chocolates, refletindo em produtos menos caros para o consumidor final. Por outro lado, para pequenos produtores, montantes menores por arroba podem pressionar a renda e levar produtores a buscar alternativas, como a agregação de valor por meio do cacau fino ou orgânico.


Perspectivas para 2026


Analistas de mercado destacam que o movimento de queda não necessariamente representa um colapso estrutural, mas sim uma correção depois de extremos especulativos e choques climáticos que marcaram os últimos anos. A tendência é que os preços continuem voláteis, com possíveis flutuações em função do clima, ajustes na produção e demanda global.


Especialistas observam que, mesmo com a recente queda, os preços ainda se mantêm acima de médias históricas de longo prazo, refletindo a importância contínua da commodity no mercado mundial.


Ilhéus — Depois de atingir picos recordes nos últimos dois anos, o preço da arroba do cacau voltou a recuar, sinalizando uma mudança importante na dinâmica do mercado da commodity que movimenta milhões de reais no Brasil e globalmente.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Lula sanciona lei que reconhece Ilhéus como capital nacional da rota do cacau e do chocolate

Lula sanciona lei que reconhece Ilhéus como capital nacional da rota do cacau e do chocolate — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um projeto de lei que reconhece a cidade de Ilhéus, no sul da Bahia, como capital nacional da rota do cacau e do chocolate. A decisão foi divulgada no Diário Oficial desta sexta-feira (19).

A proposta tem o objetivo de valorizar a cidade, que tem se destacado por adotar práticas sustentáveis para o cultivo do cacau e investido em métodos orgânicos para a produção. Além disso, o desempenho no ramo do chocolate tem destacado a cidade como um forte destino turístico na região

A lei foi proposta pela deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA). Na prática, a sanção do projeto faz com que o poder público destine mais investimentos em infraestrutura e promoção de Ilhéus.

"É um título que consolida a nossa cidade, nosso legado. Ilhéus é conhecida mundialmente, o cacau e o chocolate, que tanto desenvolvimento já teve aqui outrora e hoje volta com essa pujança", analisou o prefeito da cidade, Valderico Júnior, em entrevista à TV Santa Cruz.

"A gente fica muito feliz de ter Ilhéus com tanta biodiversidade, tanta história, cultura. Jorge Amado ajudou a propagar isso tudo e agora consolida dentro desse projeto como a cidade do cacau, do chocolate. Não tenho dúvidas que isso é um ganho efetivo e um potencial econômico para todos nós."

Projeto de lei foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e divulgado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (19).